sábado, 2 de julio de 2016

La difícil situación de la clase obrera en EE.UU.



_Fred Magdoff
 
Los desempleados, los subempleados y las personas con empleos precarios constituyen el ejército de trabajadores de reserva, necesario para el funcionamiento del capitalismo.
 
 
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6 comentarios:

  1. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:17

    Muito bom apontamento.

    Por vezes, alguns comunistas na crítica ao império esquecem-se que a primeira vítima deste império é a sua classe trabalhadora, quer os negros ou os brancos.
    Um dos grandes desafios ao movimento comunista na América será articular as várias questões internas dos EUA:
    -a luta dos negros
    -a independência possível quer de Porto Rico, quer uma questão menos equacionada, que seria uma independência das terras dos nativos americanos
    -a luta da classe branca trabalhadora, nomeadamente destruir o tumor do racismo e criar uma América fraternal
    Por falar nisto e visto que vocês abriram um caminho para o debate (algo que saúdo dado a cobardia de “comunistas” como foi visível no Brexit) uma das grandes questões seria: como criar um forte movimento comunista na América? Devemos articular num só PC e numa só América as questões que coloquei em cima, ou devemos criar um PC para os negros (tipo os Panteras Negras), um PC que advogue a independência de Porto Rico, dos nativos americanos?
    Qualquer pessoa diria que se por um belo sonho a vitória do comunismo se desse na América de hoje, ela seria uma espécie de URSS, um enorme país, com grandes recursos, um grande exército. Todos teriam a ganhar em ficarem unidos. Tal como na URSS, nunca se deixou de colocar a questão de separação futura das repúblicas, quando o capitalismo estivesse derrotado. Depois todos os povos do mundo se uniriam de novo numa grande República Mundial, uma URSS mundial. Que fosse uma união em termos bem distintos da miséria moral, racista, que vemos no Portugal colonial de Salazar, na Espanha actual com as nacionalidades oprimidas, no Reino Unido, etc…
    No fundo toca-se em questões como os nacionalismos, que hoje são quase um tabu mas não o eram à 20 anos. Desde que caiu o nosso farol, a esquerda deixou-se colonizar com ideias estranhas ao marxismo, ou ideias boas que foram distorcidas e mascaradas de marxismo. Exemplo: porque razão existe a ETA? Porque razão lutam por um Euskal Herria socialista e independente? Agora, surgiu uma nova ideia da moda na esquerda pós-moderna. Até então era ponto assente que a luta nacional em termos como a FRELIMO, ETA, FRETILIN, GRAPO, era justa e legítima. O internacionalismo proletário é o amor entre os povos, é o sentimento de igualdade que une todos os povos. É no fundo a visão que queremos o melhor para todos, a todos por igual. A crença que todos os povos são iguais. Daí derivou a condenação do colonialismo, do racismo, da desigualdade social. Pedra mestra da nossa ideologia, daí deriva o apoio a lutas justas de independência. Isto não é nenhuma contradição, é na verdade a afirmação do internacionalismo. Se eu condeno o racismo, não condeno apenas os insultos racistas básicos que escutamos todos os dias, tipo “negro volta para África”. Condeno toda e qualquer expressão de desigualdade entre os povos. Pegando no exemplo de Euskal Herria, o actual estado espanhol não é uma federação de povos. É uma ocupação de Castela e a imposição da sua língua, cultura, aos outros povos da Ibéria. Assim desmantelar este estado, atacar a ocupação castelhana é um dos passos para atacar o racismo. Não se desmantela o racismo por escrever numa lei “todos somos iguais”, mas sim desmantelando todas as estruturas culturais, mentais do racismo.

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  2. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:18

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    É fácil observar manifestações claras de racismo, como a escravatura negra. Menos claro são outras manifestações. Quando a ETA exige o fim do actual estado espanhol e a constituição de Repúblicas socialistas independentes no seu lugar, isto é uma expressão máxima do internacionalismo. Porque em si a ocupação castelhana, não é um mero manter de tropas em Euskal Herria, mas sim um impor da língua castelhana, da sua cultura e o querer apagar o euskera, catalão, galego e todas as línguas dos outros povos. Basicamente é um racismo, uma visão de supremacia castelhana em relação aos outros povos. Quando Franco procurou proibir as línguas locais foi apenas a expressão máxima deste racismo. Assim, desmantelar este estado é desmantelar uma estrutura racista, que é uma expressão da desigualdade.
    Contudo surgiu agora uma nova teoria coqueluche em certa esquerda. Agora qualquer reivindicação nacional é chauvinismo. Qualquer crítica a algo estrangeiro é racismo. É essa ideia do Podemos? Nesta lógica, algumas ideias “magníficas” surgiram: a UE passou de ser um bloco racista, capitalista, feito para conter a URSS para passar a ser a expressão da união dos povos. Isto é uma anedota? Só falta dizer que isto é internacionalismo proletário para cairmos no ridículo total.
    Ou seja eu para ser internacionalista tenho que falar uma só língua, comer a mesma comida que os americanos? Então qual será essa língua? O inglês, que é uma língua internacional devido à colonização de meio mundo? Porque não ser o papua, swahili, navajo, euskera, bretão? São línguas tão boas como o inglês. Internacionalista não é crer que todos somos iguais? O racismo não é em si o ódio à diferença? Não procurávamos fazer entender que a diversidade dos povos não é mau, condenando aquela obsessão dos europeus em fazer todos os povos iguais ao Ocidente? Na verdade, impuseram-lhes a sua língua, cultura, só não os converteram em brancos porque não conseguiam. Um exemplo: os EUA são quiçá o país mais “multicultural” do mundo. Criado em ondas de emigração de pessoas de todo o mundo, os EUA usam isso para vender que “a América é feita com um pedaço de cada povo no mundo”. A sério? Porque o que eu me recordo da história dos EUA é que foi dos países mais racistas do mundo. Os negros que entraram não foram emigrantes mas sim gente escravizada. Os índios foram mortos aos milhões (ao que parece essas culturas não tinham o mesmo direito de existir). As ondas de emigração branca foram feitas com o intuito de confiscar a terra aos índios e estender a Europa. Isso é visível na construção, na toponímia: Nova Iorque, Nova Jérsia. O que eles queriam era estender a sua cultura, recriar a Europa. Estava implícito que a única cultura que interessava era a ocidental. Daqui ao genocídio dos índios era um passo. A dita diversidade nunca passou de um mito. A elite branca foi e é a dominante do sistema político no país, não obstante os negros e latinos caminharem para serem a maioria no país dentro de 20 anos. Contem a proporção de negros e latinos no Congresso em comparação com os brancos e verão a realidade. A população branca era muito diversa, englobou todos os povos europeus. Mas essa “diversidade” nunca foi nada mais que uma farsa. Que houvessem portugueses, ingleses, espanhóis, irlandeses, estónios, polacos, isso não importava. Todos eram brancos e ocidentais. Isso é o que importava. Assim temos este paradoxo. Uma nação que estatisticamente será das mais diversas ao nível das etnias que a compõe, até aos anos 60 tinha um sistema de segregação dos negros e dos índios. Ou seja, a América tinha dezenas de etnias de raça branca, mas eles não se misturavam com os negros e índios. Onde é que isto é multiculturalismo? A América foi uma farsa desde sempre. Trouxe vagas de emigrantes para alimentar o capitalismo e a sua expansão territorial, assente no assassinato dos índios. O mesmo se processou do Brasil. À data da independência do Brasil, em 1822, 60 % eram negros, mais os índios que seriam 20%.

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  3. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:18

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    Ou seja 80% da população não era branca. Temendo um novo Haiti, a classe branca esclavagista, para perpetuar a escravatura e os seus privilégios, lançou uma campanha de “embranquecimento” do Brasil. Trouxe vagas de imigrantes europeus, tornando os negros apenas a maioria no nordeste. Quanto aos índios, foram mortos aos milhões, tornando-se hoje apenas uns 200 mil, num país onde foram cerca de 6 milhões. Contudo a elite portuguesa domina todo o país. Querem uma prova? O Rio Grande do Sul tem uma população de maioria branca, devido à emigração pós-independência. A maioria é de origem italiana, suíça, polaca, alemã. Contudo os portugueses, originários dos 1ºs colonizadores, dominam a elite local política e em Brasília, o congresso brasileiro é dominado por gente de origem lusa. Outra interessante estatística saiu à uns anos. A Europa também teve vagas de emigração, mas não com a dimensão dos EUA. A Europa assenta em estados-nação, com uma maioria étnica que domina. Os emigrantes nunca foram mais que 5, 10% da população em cada país. Curiosamente, uma estatística mostrou que em todos os países europeus há mais casamentos mistos entre negros, árabes, sul-americanos e europeus que nos EUA. Notem isto. Os latinos e negros são quase 50% da população dos EUA e o seu número tende a aumentar. Contudo a hipótese de casar com alguém branco é muito mais baixa que na Europa.
    O que é o multiculturalismo? É o gosto pelo exótico? É a convivência em bairros segregados comos nos EUA? Os EUA querem impor na Europa o seu modelo de “multiculturalismo”, que mais não é que uma grande vaga de imigrantes para o capital, criando bairros segregados para cada povo (com a máscara de dizer que cada povo vive como quer). Sob a máscara de respeitar “as diferenças culturais”, o que interessa ao capital é mão-de-obra. Só lhe interessa a produção. Não lhe interessa mudar o que está mal em cada cultura. Toleram-se barbaridades como o Klu Klux Klan em nome da “liberdade de expressão”, da “tolerância de cada cultura”. Exemplo. Uma vez falei com um cigano (Rhoma) de origem húngara. Perguntei-lhe o que era a vida no socialismo. Ele disse-me que era boa e que o fim do regime foi uma tragédia para os ciganos. Disse-me que o regime havia emancipado as mulheres, escolarizado as mulheres e homens, as crianças e ele trabalhava para o estado. Com o fim do regime, os postos de trabalho foram destruídos, os ciganos vivem na miséria. A maioria apoiava o socialismo e sente a sua falta. A extrema-direita começou a ataca-los, as violências são brutais e aumentando desde a subida dos nazis ao poder. Sobretudo as mulheres apoiam o marxismo, pois se lembram como o PC húngaro apoiou as mulheres. Ele contudo disse-me algo que me intrigou. Disse-me que apoiando o socialismo, não gostava de certa esquerda. Disse-me “os comunistas lutavam contra todas as injustiças, viessem de onde viessem”. Tanto atacaram o racismo que vitimava os ciganos, como a discriminação das mulheres nessa cultura, a sua falta escolaridade, os casamentos forçados. Ganharam por isso grande apoio nas mulheres e jovens ciganos, dado a promoção dos seus direitos. Os comunistas tinham um padrão que queriam para todo o mundo: igualdade de género, social, económica, fraternal. Esta nova esquerda pós-1991, apenas lhe interessa focar as minorias como oprimidas pela raça dominante, num discurso que parecendo marxista, não o é de facto. Acusa os brancos como culpados do racismo, para sanear a culpa do capital. Isto tem duas ideias inerentes. Aponta que o racismo deriva de certa raça querer odiar a outra e no fundo tem inerente a ideia que apenas os brancos são racistas. Isto nega a visão marxista clássica que aponta que o racismo como qualquer construção mental, deriva das estruturas económicas. Não há nada na raça branca que a predisponha ao racismo. Afirmar isso é em si uma ideia racista, como afirmar que os negros são delinquentes. O racismo é uma construção mental que tem origem no sistema económico. Como qualquer bom revisionista, o revisionista é um mero fustigador dos crimes do capital.

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  4. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:21

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    Chegar a um bairro cigano e ver a miséria e dizer “isto é algo mau” , qualquer um faz. Apontar a origem e trabalhar para desmontar o sistema que o cria é o que diferencia um marxista de uma syrizette. O cigano húngaro disse-me algo que me intrigou. Disse-me que no tempo do comunismo se trabalhava para resolver de facto os problemas das pessoas. Em qualquer bairro cigano nos anos 60 na Hungria, o partido trabalhava com as suas associações, não só para dar empregos e casas, mas para erradicar problemas internos desse povo: casamentos forçados, discriminação das mulheres, ódio entre clãs. Devido a isso uma geração inteira escapou a casamentos forçados, mulheres e homens foram à escola. Inclusive ao criar empregos, vários ciganos foram morar para junto de húngaros, trabalhando nos serviços, na agricultura. Houve um aumento de casamentos mistos, os ciganos começavam a criar pontes culturais com os húngaros, criando-se uma boa convivência. Era impensável haver bandos de nazis a atacá-los. Depois, como ele me disse, abateu-se a miséria. O isolamento dos ciganos, fez recuar a mistura racial, o entendimento entre os povos. Esse isolamento fez renascer as forças reacionárias que pugnavam pelos casamentos forçados, pela proibição de mistura, pela discriminação das mulheres como “expressão cultural”. Foi uma catástrofe. Como ele me disse “muitas das associações antirracistas, pró-imigrantes”, são constituídas por esquerda anti-URSS, a da caridadezinha hipócrita. Chegam aos bairros ciganos e distribuem alguma comida pra fazer uma boa foto para os media. Só lhes interessa mostrar os ciganos como vítima de racismo. A orientação para culpar os brancos visa desculpabilizar o capitalismo. Os ciganos vivem na miséria por conta da raça branca, não por conta do capitalismo. Dado que a raça branca teve pessoas como Marx, Engles, Lenin, não se consegue perceber como é que em si se defende que os brancos são um povo de psicopatas por natureza.
    Tornou-se um tabu abordar os problemas de género nessas culturas, algo que não o era no tempo do comunismo. Lenin ao proclamar a URSS, não se preocupou apenas em dar empregos à classe operária russa, também quis atacar a violência de género, casamentos forçados que existiam no país. Porque razão se tornou um tabu falar disto? Acaso apenas as mulheres brancas devem ter o direito de casar com quem queiram? Nos últimos tempos, surgiu mais uma bela ideia da moda.
    Era uma crítica típica do marxismo atacar a “visão ocidental de impor os seus modelos aos outros”. Até então isto era entendido como impor as línguas, culturas aos povos ocupados. Criticávamos a ocupação, roubo, escravização.
    Agora surgiu uma nova interpretação. Isto significava agora que defesa dos direitos das mulheres, das minorias é uma concepção ocidental. A sério? Porque eu que me recorde isso é uma ideia marxista, não uma ideia ocidental. O marxismo e o seu crescimento é que impôs isto ao Ocidente, porque pela burguesia as mulheres ainda estavam em causa como escravas, tendo 20 filhos. Os marxistas sempre criticaram o aproveitamento feito pelos ocidentais de causas para atacar os povos colonizados. Exemplo: os EUA invadiram o Afeganistão em 2001, sob o pretexto do 11 de Setembro. Contudo para iludir os idiotas, afirmaram também querer libertar as mulheres afegãs. Todos condenamos isto sem dúvida. Nunca deixamos de dizer que isso era uma farsa e uma manipulação. Que na verdade isso nunca seria aplicado. Que na verdade podiam fazer uma lei a dizer “as mulheres e homens são iguais” que isso é marketing puro. Nunca se aplicaria na verdade. Contudo a URSS interviu no Afeganistão em 1979 para entre outras coisas, apoiar as medidas de Kamal sobre as mulheres. Imagens belas de uma Kabul com mulheres livres, sem burka, indo à escola, foi apoiado por todos os marxistas. Contudo agora temos comunistas a dizer “que o proibir do véu é uma visão ocidental imposta aos povos, é uma ideia racista”.

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  5. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:22

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    A sério? Lenin fez o mesmo em 1917, há fotos célebres de mulheres chechenas em 1920, apoiantes dos bolcheviques, a queimar em praça pública os seus véus, com imagens de Lenin ao seu lado. Criticar a manipulação é uma coisa, afirmar que o uso do véu é uma questão de perspetiva, que “há vários modelos”, que “ninguém tem a verdade total” é outra coisa. É uma aberração, que nos faz entrar no surrealismo ideológico. É a pós-modernidade, o relativismo cultural em plena acção. Dizer que os direitos das mulheres é algo relativo, é algo que abre portas para a revisão de uma causa essencial no marxismo e que levará a um caminho de reintrodução da discriminação nas mulheres. A única razão pela qual os comunistas são incapazes de atacar isto deve-se a que esta gente aparece a tentar ligar a causa das mulheres ao racismo ocidental e os comunistas sentem-se confusos e intimidados de criticar isto. A Índia é o melhor exemplo. A ocupação colonial inglesa, assim como a portuguesa, francesa, holandesa foi bárbara. Nunca ninguém negou isso. Contudo a Inglaterra, para justificar a sua ocupação, tentou fazer algumas medidas para dar um ar de “missão civilizadora”. Proibiu casamentos infantis, proibiu o saati, que era a obrigação de uma viúva, quando o marido morria, de ser enterrada viva com ele. Todos sabemos que estas medidas eram pura hipocrisia. Contudo não vamos condenar em si as proibições, independentemente da hipocrisia em si. Se nós tomássemos o poder também proibíamos isso. Um casamento forçado é uma aberração, não uma expressão cultural. O saati, o véu são uma discriminação da mulher, uma noção que a mulher é uma posse do homem. Não é uma expressão cultural. Até aos anos 80 foi essa a visão dos comunistas. Quando a URSS tirou o véu no Afeganistão todos a apoiamos. Quem criticava isto eram os reacionários líderes tribais, que todos detestamos. Agora, por um qualquer fenómeno, essa gente aparece no Ocidente a exigir um estatuto especial que lhes permita “viver a sua cultura”, que é uma forma sub-reptícia de manter os casamentos forçados, discriminação da mulher entre outros. Usam como argumentos que “nós queremos viver assim”, mas as mulheres não querem isso, elas são é forçadas a viver assim. Ao dizermos que compete ao pai decidir se quer que a sua filha vá à escola, ou decidir se a casa contra a sua vontade, estamos a abrir portas à barbárie. Imaginemos que víssemos um branco a defender isso, aposto que a reação seria bem diferente.
    Isso é a rejeição de tudo o que nós defendemos. Porque, por essa lógica, a cultura ocidental também era assim no tempo de Marx. Depois Marx teve a ideia que as mulheres deviam ser livres e a cultura ocidental devido ao marxismo mudou. Agora surgem marxistas a defender que os casamentos forçados e etc, são uma questão de perspetiva, que cada um viva como quer.
    Como é que nós chegamos a este ponto?
    Isto é surreal, abre portas ao nazismo. O pós-modernismo é a porta de abertura do nazismo. Daí que não surpreende que os grupos nazis venham exigir que se faça retornar as mulheres ao lar, que se proíba o voto feminino, entre outras aberrações. Mas pela lógica que certa esquerda defende, isso era a cultura europeia do século XIX.
    Como já alertaram comunistas da Índia, Arábia, está-se a usar os crimes do Ocidente para promover agendas reacionárias. É o mesmo que no Brexit. Em vez da crítica clássica marxista à opressão da classe operária inglesa, os nazis desviaram-na para um rumo racista. Mas isto deve-se à letargia dos comunistas e ao terem aderido às ideias da UE. O mesmo se passa na Índia, com os fascistas hindús a querem ligar a ideia de igualdade das mulheres, o fim das castas à opressão ocidental. Isto é uma máscara que oculta nazis.

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  6. AnonimoTrotskista3 de julio de 2016, 7:22

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    O Ocidente burguês apoia a causa das mulheres de forma retorcida e porque quis roubar essa causa aos comunistas e desviá-la para servir o Ocidente como uma arma de instrumentalização. Contudo as castas são uma aberração, devem acabar. É parte da cultura indiana? É tanto como a opressão das mulheres, a violência doméstica, a discriminação das minorias era parte da cultura ocidental até ao marxismo.
    Aonde é que nós perdemos a sanidade para dizermos isto?
    Note-se outro pormenor. Esta “crítica” ao Ocidente desvia a visão tradicional marxista que assentava na crítica ao racismo, ao roubo que se fez. E aliás os marxistas foram os primeiros a apontar a cumplicidade do sistema de castas na ocupação da Índia. Foram essas elites que colaboraram com os europeus. Foram eles que se misturavam com os ingleses. Os comunistas denunciaram que os europeus nunca quiseram o fim das castas pois este sistema eram benéfico para o capital. E apontavam este exemplo com a expressão máxima da farsa da “democracia ocidental”. Agora surgiu um novo “anticolonialismo” que são os nazis desses países, os reacionários a quererem manter aberrações, manipulando os crimes do colonialismo. Os argumentos a defender os casamentos forçados que eles usaram “as mulheres querem”, “é uma expressão cultural”, eram mais facilmente atacáveis. Qualquer pessoa de bom senso vê o ridículo disto. Nos anos 60 quando as mulheres lutavam para se emancipar, esse tipo de argumentos eram inadmissíveis. Foi o relativismo cultural dos anos 90 que permitiu dizer isto. A isto se juntou a consciência pesada dos europeus, que se sentiam intimidados a atacar líderes de minorias. Eles perceberam o potencial da carta do “anti-colonialismo” para intimidar qualquer crítica. Curiosamente este discurso acaba por orientar as críticas para uma guerra de raças e iliba o capitalismo. Bin Laden não critica o capitalismo, apenas não quer os ocidentais a proibir o véu. O que estava errado na Índia britânica não foram os milhões de mortes da grande fome criada pelos ingleses no século XIX, a manutenção das castas com a cumplicidade dos ingleses, as criminosas companhias comerciais. O errado foi os ingleses proibirem casamentos infantis e o saati? Isto é uma crítica anti-colonialista?
    O facto disto ser defendido publicamente e nenhum movimento comunista o atacar coloca questões incómodas e revela a deriva total do movimento comunista.
    Há 20 anos atrás era impensável ver grupos de nazis a defender abertamente que o Holocausto nunca existiu, haver bairros na França onde se impôs a sharia, permitir casamentos forçados nos ciganos, árabes, campos de concentração para ciganos na Hungria.
    Este relativismo moral quer destruir a totalidade do pensamento marxista, o seu padrão total de sociedade e impor-nos aberrações.
    Não tarda muito escutaremos a dizer que “os comunistas nos querem impor a sua visão de mulheres iguais e livres, propriedade comum, internacionalismo”. Pois sim, e COM MUITO ORGULHO AFIRMAMOS ISTO, dizemos que “queremos confiscar toda a propriedade, libertar as mulheres, igualizar todos os povos”. E isso é um padrão para todos, não admitimos cedências nesse campo. Queremos alastrar isto a todo o mundo.
    Os aspectos diversos dos povos, língua, folclore, comida, tudo isso sempre foi diferente, pois há milhares de povos no mundo. Queremos sim é uma humanidade igual na matriz de direitos de todos os seres humanos.

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