lunes, 25 de septiembre de 2017

CARLO FRABETTI. Votar o no votar, esa no es la cuestión


La verdadera cuestión es, como nos advierte Hamlet, ser o no ser. Pero ¿qué es lo que hay que ser? Él mismo lo apunta más adelante en su atribulado monólogo: ¿Quién quiere sufrir del fuerte la injusticia, del soberbio el áspero desdén, las demoras de la ley… pudiendo de tanto mal librarse alzando una punta de acero? Hamlet habla de la muerte como liberación; pero sus palabras, dotadas de vida propia, sugieren una alternativa mejor (que él mismo terminará eligiendo): acabar con la tiranía. Ser o no ser libre, luchar o resignarse, esa es la cuestión.
 
El 1-O hay que votar SÍ como afirmación y ejercicio de libertad, como expresión incontenible del derecho de autodeterminación de un pueblo soberano; hay que votar SÍ precisamente porque el poder y sus lacayos quieren impedirlo a toda costa, y no podemos seguir tolerando la injusticia del fuerte, el desdén del soberbio y las demoras de la ley. Pero no nos engañemos: las papeletas no pueden remplazar a las puntas de acero. Se trata de emanciparse del Gobierno, no de someterse al Govern. Se trata de debilitar a la oligarquía española, no de fortalecer a la oligarquía catalana. No habrá verdadera independencia mientras haya una clase dominante, y una república solo es digna de ese nombre si es una república socialista.
 
En el seno de la seudodemocracia capitalista solo hay un tipo de urnas: las urnas funerarias en las que se entierra la ilusión de decidir; si en un momento dado podemos volverlas contra el poder, no desaprovechemos la ocasión; pero sin caer en la trampa del reformismo y las falsas alianzas interclasistas. Hoy más que nunca, hemos de tener claro que no debe haber guerra entre los pueblos ni paz entre las clases. Y ahí está para recordárnoslo, recorriendo las calles como un clamor incesante, el propio himno de Catalunya: Que tremoli l’enemic en veient la nostra ensenya: com fem caure espigues d’or, quan convé seguem cadenes.
 
Conviene cortar cadenas y el enemigo, que lo sabe, está temblando. Bon cop de falç!
 
 
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4 comentarios:

  1. Mais um passo em relação ao retrocesso dos valores comunistas do estado laico, da igualdade de género!!!
    A Suécia tem fechado os olhos e permitido que crianças imigrantes estejam casadas com adultos, em nome de pretensos “valores culturais diferentes” e sob a máscara do multiculturalismo!!!
    Permitir crianças casadas não só viola a lei, como é uma máscara para ocultar abusos, como ainda temos a questão de uma discriminação invertida. A nenhum homem europeu, africano e afro-caribenho se permitiria um caso destes e decerto seria preso por tal. Sob a máscara do multiculturalismo, da “diversidade”, de “especificidades culturais de outras culturas”, estamos a perverter, a destruir os valores pelos quais nós comunistas lutamos. Nós não lutamos, os nossos camaradas não morreram na Comuna de Paris, nas lutas sindicais, nas lutas feministas, na URSS, para que agora esses valores universais sejam questionados sob máscaras diversas. O que estamos a fazer é criar dois tipos de cidadãos na Europa: uns, que são os nativos da Europa, mais os imigrantes sul-americanos, afro-caribenhos e da África subsariana, a quem a lei do país onde vivem se aplica. Caso algum agrida uma mulher, viole uma criança, perverta o estado laico, é preso e condenado publicamente por todos. Mas determina-se que certas culturas estão isentas de cumprir a lei. Há dois tipos de cidadãos? Isto acaba por tornar-se uma discriminação invertida, com os europeus, africanos, sul-americanos a serem penalizados, porque aí se entendeu que a sua cultura condena estes actos, logo é censurável eles fazerem isto. Mas os imigrantes provindos do Médio Oriente, Ásia podem quebrar as leis? Acaso as suas mulheres não têm os mesmos direitos que as outras? Acaso a cultura europeia e sul-americana não era tão retrógrada assim há 100 anos? E não se mudou a situação? Fala-se muito disto em relação aos muçulmanos, mas estes problemas também existem nos cristãos egípcios, onde a excisão é também praticada, assim como a questão dos casamentos de crianças é uma prática universal a todas as religiões da Índia (hindus, cristãos, muçulmanos, siks), usando a máscara de “diferenças culturais”. Em Israel a situação é ainda mais grave, com notícias assustadoras de retrocessos legais, como a tentativa de legalizar a poligamia, a segregação de género, leis a criminalizar a apostasia dos judeus, ataques terroristas aos muçulmanos e cristãos, leis a proibir o casamento de judeus com gentios, etc…
    Estas questões estão a inquietar os europeus e os imigrantes ligados culturalmente à Europa (sul-americanos, afro-caribenhos, subsaarianos), e isso em parte está a aumentar o voto na extrema-direita, com o receio de verem direitos fundamentais até agora tidos como garantidos, serem postos em causa. Porque isto é uma caixa de Pandora. Se tivermos a mínima honestidade intelectual, na Europa, até ao século XIX, as mulheres não votavam e eram inferiores aos homens juridicamente; os casamentos eram forçados; a violação era tida como culpa das mulheres, que “provocavam” os homens, sendo as mulheres europeias obrigadas a “vestir-se com decoro”, havendo leis que penalizavam as mulheres que usassem trajes curtos. O marxismo surgiu e afirmou a igualdade de género, de raça, o voto universal, o estado laico. Acusou os violadores em vez de acusar as vítimas. Agora de súbito, certa esquerda que apoiou as medidas duras que se tomaram contra as igrejas, fica escandalizada quando se proíbe burkas e ainda tenta vender a burka como “expressão cultural”. Mas na URSS, onde os muçulmanos eram 40% da população, proibiu-se as burkas, os hidjabs, e laicizou-se a vida pública. Nas populações rurais ortodoxas cristãs, o PCUS proibiu certas procissões públicas, encerrou-se mosteiros e qualquer pregação de ódio era punida com a cadeia.

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    Entre as primeiras medidas que Lenin tomou em 1917 foi por fim aos casamentos de crianças, que considerava uma aberração. Hoje na Europa, está-se a ceder em princípios que todos nós comunistas concordávamos, em nome do politicamente correcto, sob a máscara de “diferenças culturais”, tudo porque é mais fácil ceder do que impor pela força os valores universais. No Afeganistão a URSS proibiu as burkas, exibindo com orgulho as mulheres sem véu que iam à escola e votavam. Hoje, certa esquerda, assente num distorcido sentimento de culpa pelos crimes passados do Ocidente, deixa corromper e perverter valores universais.
    A mutilação genital não é uma “expressão cultural”. É uma aberração que visa controlar o corpo da mulher e submetê-la ao homem.
    A burka não é uma “expressão cultural”. É uma aberração que visa controlar o corpo da mulher e submetê-la ao homem.
    Os casamentos de crianças não são “formas diferentes de ver o mundo”. É uma forma oculta de pedofilia, e também uma forma de controlar as mulheres e impedir os jovens de casar fora da raça ou da religião dominante.
    Proibir o álcool e o porco nas escolas não é uma forma de ser simpático com culturas diferentes. É uma forma de ceder ao extremismo e perverter o estado laico. Imagine-se por um momento que a Igreja católica exigisse que se proibisse o consumo de carne durante a Quaresma. Posso imaginar a reação que nós teríamos. Basta dar menus diversos e cada um come conforme a sua consciência. Se um católico quiser jejuar na Quaresma que coma peixe por exemplo, não precisamos de proibir a carne nos menus. O mesmo com os muçulmanos, os judeus, os hindus, etc. Ao proibir a carne, o porco, o álcool, seja o que for, o que estamos a fazer é discriminar quem queira comer tal. Imagine-se um comunista ateu ser obrigado a não comer carne durante a Quaresma, só porque a Igreja decidiu que isso feria a sua susceptibilidade? O princípio do laicismo é sermos capazes de aceitar os outros, quem difere de nós. Com estas medidas contraproducentes, estamos a alimentar o extremismo, levando as pessoas a não saberem conviver com quem difere delas. E claro, pouco falta para isto gerar violência. Porque isto é um beco sem saída. Se eu comer carne de vaca, insulto um hindú, mas não um católico ou muçulmano. Se comer porco, insulto um judeu, um muçulmano, mas não um cristão ou sikh. Eu não posso agradar a todos ao mesmo tempo e tampouco tenho de o fazer. Tenho o direito de comer o que quero, ninguém me pode impedir de comer o que quero. Se alguém tem objecções religiosas, que actue conforme elas, agora não vá impor aos outros. Se um católico quiser jejuar, nada o obriga a comer carne, coma peixe se quiser. Não vamos é proibir os outros de tal.
    Acho que alguns só se darão conta disto, quando um grupo nazi europeu exigir que se retire o voto às mulheres, se imponha o casamento forçado, se proíba casamentos inter-raciais, se proíba a apostasia e se declare a junção do estado com a igreja. E fá-lo-ão com que argumentos? Com os mesmos argumentos que agora vemos os judeus, hindus, muçulmanos a exigir a violação das leis e direitos, sob a máscara do multiculturalismo. E a termos o mínimo sentido de honestidade intelectual, os nazis poderão alegar que a cultura europeia era assim, antes do marxismo decidir destruir essas aberrações. E têm eles o mesmo direito que os outros. Só quando virmos uma lei de restauração da Inquisição, da retirada do voto às mulheres é que nos daremos conta do absurdo que estamos a promover na Europa.

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    É tempo de certa esquerda se decidir. Ou bem que entendemos que a igualdade de género, de raça, o estado laico são valores universais e que essas culturas devem fazer o mesmo percurso da URSS e da Europa e aceitá-los, ou entendemos que cada cultura vive como quer. Se houverem aberrações, ninguém as pode chamar como tal, pois “tudo é relativo”. Mas depois, não nos surpreendamos com os nazis a crescer e ainda algum dia destes temos de novo a Inquisição. A partir do momento em que grupos ditos “culturais” podem promover a defesa da sua cultura, misturando aspectos culturais legítimos como a língua, folclore, com aberrações como a excisão, burkas, o racismo endogâmico, o fanatismo religioso, o mesmo direito vai assistir aos nazis da Europa de fazer o mesmo. E de exigir o retrocesso de tudo o que o marxismo legou, afirmando que este “destruíra a sua cultura”. E como alguma esquerda poderá contestar isto, se ainda tiver o mínimo de honestidade intelectual, dada a absurda atitude de certa esquerda em relação a estas questões nas comunidades imigrantes (refiro-me é claro aos revisionistas pós-modernos)?
    A única solução é o ressurgir do verdadeiro marxismo, que transporte os verdadeiros valores do marxismo, que são universais: estado laico, igualdade de género, de raça, voto universal! E temos de unir os nativos e imigrantes na mesma lógica.
    Parte do que está a alimentar o nazismo provém do tipo de argumentação que a burguesia alimentou durante 20 anos, desde o fim da URSS! Que a burguesia apoie isto não surpreende. A burguesia apoiou sempre o nazismo, fosse europeu, fosse sul-americano, fosse de que país fosse. Agora o apoio de certa esquerda a isto é que é motivo de reflexão.
    Quando agora esta argumentação está a ter um efeito inesperado, com o ressurgimento do nazismo europeu, agora certa esquerda (os Syrizas) vêm com o discurso da “natureza intrínseca do racismo na Europa”. É uma desculpa fácil para evitar questões incómodas, numa questão que é mais complexa do que parece. Se se permite por exemplo que os judeus pratiquem a endogamia, usando várias tácticas para tal e proibindo os judeus de casar fora da raça, com que argumento se impede os nazis de defender o mesmo? Se se permite instalar a sharia em zonas de Londres, com que direito amanhã se impede os falangistas de querem impor de novo o estado católico em Espanha?
    Só o verdadeiro marxismo, como se viu na URSS, pode resolver esta questão. A URSS proclamou um estado laico, igualitário, multirracial e de igualdade de género. Havia uma só lei, valores únicos e universais para todos, sem excepção. Isso criou um sentimento universal, em que todos se sentiam soviéticos, e nunca se viu na URSS este discurso patético de “especificidades culturais” que estamos a ver na Europa.
    Só a desmontagem deste falso multiculturalismo, que nada tem a ver com o verdadeiro multiculturalismo que se promoveu na URSS, onde os casamentos mistos eram em grande número, pode levar de novo a Europa à fraternidade. E para isso temos de reconhecer os disparates que se fizeram na Europa e para os quais concorreu certa esquerda alienada.



    Retirado de: https://sputniknews.com/europe/201709251057665752-sweden-migrants-child-marriage/

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  4. La división de España en Estados federales,con administración independiente, equivaldría a la reaccionaria destrucción de la unidad nacional." Marx y Engels

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